quarta-feira, 1 de março de 2017

Jesus tinha um estilo de vida simples e profundo. E nós?



Compromisso evangélico com um estilo de vida simples

Este documento é fruto da Consulta Internacional Sobre Estilo de Vida Simples realizada pelo Movimento Lausanne de 17 a 21 de março de 1980, próximo a Londres , Inglaterra, e que reuniu 85 líderes de 27 países. John Stott e Ronald Sider lideraram a consulta.

Introdução
"Vida" e "estilo de vida" são expressões que obviamente se pertencem, não podendo, portanto, separar-se uma da outra. Todos os cristãos dizem ter recebido de Jesus Cristo uma nova vida. Mas qual o estilo de vida certo? Se a vida é nova, o estilo de vida precisa ser novo também. Mas que características ele precisa ter? Como distingui-lo em particular do estilo de vida dos que não professam o cristianismo? E de que maneira ele deve refletir os desafios do mundo contemporâneo: sua alienação tanto em relação a Deus como em relação aos recursos da Terra, que ele criou para gozo de todos?
Foram questões como essas que levaram os participantes do Congresso de Lausanne sobre Evangelização Mundial (1974) a incluir no parágrafo 9 do seu Pacto o seguinte texto:
"Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas e abalados pelas injustiças que a provocam. Nós, que vivemos em sociedades afluentes, aceitamos como obrigação desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuirmos mais generosamente tanto para a assistência social como para a evangelização."
Essas palavras têm sido muito debatidas, e tornou-se claro que suas implicações carecem de exame cuidadoso.
De maneira que o Grupo de Trabalho sobre Teologia e Educação da Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial e o Grupo de Estudos sobre Ética e Sociedade da Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial concordaram em patrocinar um programa de estudos de dois anos, culminando num encontro internacional. Grupos locais reuniram-se em quinze países. Congressos regionais foram realizados na Índia, na Irlanda e nos Estados Unidos. Então, de 17 a 21 de março de 1980, no Centro de Conferências de High Leigh (cerca de 25 quilômetros ao norte de Londres, Inglaterra), realizou-se a Consulta Internacional Sobre Estilo de Vida Simples, tendo a ela comparecido 85 líderes evangélicos de 27 países.
Nosso propósito era estudar o viver simples em relação à evangelização, à assistência e à justiça, considerando que todos esses itens constam na declaração de Lausanne sobre estilo de vida simples. Nossa perspectiva, por um lado, era o ensino da Bíblia; por outro, o mundo sofredor, ou seja, os bilhões de pessoas, homens, mulheres e crianças que, embora criados à imagem de Deus e por ele amados, ou não são evangelizados, ou são oprimidos, ou ambas as coisas juntas, sendo pois destituídos do evangelho da salvação, bem como das necessidades básicas da vida humana.
Durante os quatro dias de duração da Consulta, vivemos, louvamos e oramos juntos; estudamos as Escrituras juntos; ouvimos a leitura de vários trabalhos (a serem reunidos em livro) e alguns testemunhos comoventes; esforçamo-nos por inter-relacionar as questões teológicas e econômicas, debatendo-as tanto nas sessões plenárias como em pequenos grupos; rimos, choramos, arrependemo-nos e tomamos resoluções. Embora no início sentíssemos certa tensão entre representantes do Primeiro e Terceiro Mundos, no final o Espírito Santo, que cria a unidade, encaminhou-nos a uma nova solidariedade de respeito e amor mútuos.
Acima de tudo, empenhamo-nos em nos expor com honestidade aos desafios tanto da Palavra de Deus como do mundo necessitado, a fim de discernir a vontade de Deus e procurar sua graça para cumpri-la. Ao longo desse processo nossas mentes se desdobraram, nossa consciência tornou-se mais aguda, agitaram-se nossos corações e nossa vontade saiu fortalecida.
Reconhecemos que outros já vêm discutindo esse assunto há vários anos e, constrangidos, nos colocamos ao lado deles. Por isso não desejamos sobrevalorizar nossa Consulta e nosso compromisso. Nem temos razão para nos vangloriar. Todavia, aquela foi para nós uma semana histórica e transformadora. De maneira que, ao colocarmos este livreto em circulação, no intuito de com ele auxiliarmos o estudo de indivíduos, grupos e igrejas, fazêmo-lo com oração e na mais firme esperança de que numerosos cristãos se sintam movidos, assim como nós também o fomos, a uma decisão que leva ao compromisso e à ação.
• John Stott (Presidente do Grupo de Trabalho sobre Teologia e Educação da
Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial)
• Ronald J. Sider (Presidente do Grupo de Estudos sobre Ética e Sociedade da Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial)
Outubro de 1980
Prefácio
Durante os quatro dias em que estivemos reunidos, 85 cristãos de 27 países, refletimos sobre a decisão expressa no Pacto de Lausanne de "desenvolver um estilo de vida simples". Procuramos ouvir a voz de Deus através das páginas da Bíblia, dos gritos dos pobres famintos, e através uns dos outros. E cremos que Deus falou conosco.
Agradecemos a Deus por sua salvação através de Jesus Cristo, por sua revelação na Escritura, que é a luz de nosso caminho, e pelo poder do Espírito Santo que nos faz testemunhas e servos no mundo.
Estamos perturbados com a injustiça que existe no mundo, preocupados por suas vítimas, e arrependidos por nossa cumplicidade nisso tudo. Também fomos movidos a tomar novas decisões, cujo conteúdo expressamos neste Compromisso.
1. Criação
Adoramos a Deus como o Criador de todas as coisas e celebramos a bondade de sua criação. Em sua generosidade, ele nos tem dado tudo para desfrutarmos, e recebemos tudo de suas mãos com humildade e ação de graças (1Tm 4.4). A criação de Deus é caracterizada pela diversidade e rica abundância. Ele quer que seus recursos sejam bem administrados e repartidos para o benefício de todos.
Portanto, denunciamos a destruição ambiental, o desperdício e a acumulação. Deploramos a miséria dos pobres que sofrem em consequência desses males. Também discordamos da vida insípida do asceta. Pois tudo isso nega a bondade do Criador e reflete a tragédia da queda. Reconhecemos nosso envolvimento nestes males e nos arrependemos.
2. Mordomia
Quando Deus fez o homem, macho e fêmea, à sua própria imagem, lhe deu o domínio sobre a Terra (Gn 1.26-28). Ele os fez mordomos de seus recursos, e eles se tornaram responsáveis perante ele como Criador, diante da Terra que lhes cabia desenvolver, e diante de seus semelhantes, com quem haveriam de partilhar suas riquezas. Essas verdades são tão fundamentais que a verdadeira autorrealização humana depende de uma relação justa com Deus, com o próximo e com a terra e todos os seus recursos. A humanidade das pessoas é reduzida quando elas não participam desses recursos na justa medida.
Se formos mordomos infiéis, deixando de conservar os recursos finitos da Terra, de desenvolvê-los ou de distribuí-los com justiça, tanto desobedecemos a Deus como alienamos as pessoas de seu propósito para com elas. Portanto, resolvemos honrar a Deus como dono de todas as coisas; lembrar que somos mordomos e não proprietários de qualquer terra ou propriedade que possuímos, e queremos usá-las a serviço de outros; e resolvemos trabalhar para que haja justiça para os pobres, que são explorados e impossibilitados de se defenderem.
Esperamos a restauração de todas as coisas na volta de Cristo (At 3.21). Nessa ocasião nossa humanidade será plenamente restaurada, de modo que precisamos promover a dignidade humana hoje.
3. Pobreza e riqueza
Afirmamos que a pobreza involuntária é uma ofensa contra a bondade de Deus. Na Bíblia, a pobreza aparece associada à impotência, pois os pobres não têm meios de se proteger. O apelo de Deus às autoridades é no sentido de que usem sua força para defender os pobres, não para explorá-los. A igreja precisa ficar ao lado de Deus e dos pobres contra a injustiça, sofrer com eles e apelar às autoridades para que cumpram o papel que lhes foi determinado por Deus.
Muito nos esforçamos para abrir nossas mentes e nossos corações às palavras incômodas de Jesus acerca da riqueza. Disse ele: "Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui" (Lc 12.15). Ouvimos sua advertência acerca dos perigos da riqueza. Pois a riqueza traz tribulação, vaidade e falsa segurança, a opressão dos pobres e a indiferença para com o sofrimento dos necessitados. De maneira que é difícil um rico entrar no reino do céu (Mt 19.23), e de lá será excluído o avarento. O reino é uma dádiva oferecida a todos, mas o que ele é, de maneira especial, são boas novas para os pobres, dado que são eles que recebem mais benefícios em consequência das mudanças implantadas pelo reino.
Cremos que Jesus chama algumas pessoas (talvez até mesmo nós) para segui-lo num estilo de vida que inclui a pobreza total e voluntária. Ele chama todos os seus seguidores a buscar uma liberdade interior em face da sedução das riquezas (pois é impossível servir a Deus e ao dinheiro) e a cultivar uma generosidade sacrificial ("sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir", 1 Timóteo 6.18). De fato, a motivação e modelo da generosidade cristã é nada menos que o exemplo do próprio Jesus Cristo, que, embora rico, se tornou pobre para que, através de sua pobreza, pudéssemos nos tornar ricos (2Co 8.9). Foi esse um grande sacrifício intencional. Nosso propósito é buscar sua graça para segui-lo. Resolvemos conhecer pessoalmente pessoas pobres e oprimidas, e ouvir o que elas podem nos dizer sobre injustiças específicas, para depois procurar aliviar seu sofrimento e incluí-las regularmente em nossas orações.
4. A nova comunidade
Regozijamo-nos por ser a igreja a nova comunidade da nova era, cujos membros gozam de vida nova e de novo estilo de vida. A igreja cristã primitiva, constituída em Jerusalém no dia de Pentecostes, caracterizava-se por um tipo de vida comunitária até então desconhecida. Aqueles crentes cheios do Espírito amavam uns aos outros a ponto de venderem e repartirem seus bens. Embora o fizessem voluntariamente, e algumas propriedades privadas fossem retidas (At 5.4), isso foi feito em subserviência às necessidades da comunidade. "Nenhum deles dizia ser seu o que possuía" (At 4.32). Isto é, eram livres da afirmação egoísta dos direitos de propriedade. E como resultado de suas relações econômicas transformadas, "não havia um necessitado sequer entre eles" (At 4.34).
Esse princípio de divisão generosa e despojada, expressado no ato de nos colocarmos a nós e aos nossos bens disponíveis aos necessitados, é uma indispensável característica de toda igreja cheia do Espírito. De maneira que nós, que temos tudo que precisamos em abundância, seja qual for nosso país de origem, resolvemos fazer mais para aliviar as necessidades dos crentes menos privilegiados. Do contrário, seremos como aqueles ricos cristãos em Corinto que comiam e bebiam demais enquanto seus pobres irmãos e irmãs passavam fome, e então mereceremos a firme reprovação com que Paulo os admoestou, por desprezarem a igreja de Deus e profanarem o Corpo de Cristo (1Co 11.20-24). Ao invés disso, resolvemos imitá-los num estágio posterior, quando Paulo os instigou a partilhar sua abundância de recursos com os cristãos empobrecidos da Judeia, "para que haja igualdade" (2Co 8.10-15). Foi uma bela demonstração de amor e compaixão, e de solidariedade gentílico-judaica em Cristo.
No mesmo espírito, devemos procurar meios de tocar a vida comunitária da igreja com o mínimo de gastos em itens como viagens, alimentação e acomodação. Conclamamos as igrejas e as agências paraeclesiásticas para que, em seus planejamentos, se conscientizem da necessidade de se manter a integridade tanto no estilo de vida da comunidade quanto no testemunho.
Cristo pede que sejamos sal e luz do mundo, a fim de impedirmos sua decadência social e iluminarmos suas trevas. Mas nossa luz precisa brilhar e nosso sal precisa reter seu sabor. Só quando a nova comunidade se mostra mais claramente distinta do mundo em seus valores, padrões e estilo de vida, é que ela apresenta ao mundo uma alternativa radicalmente atraente, e assim exerce sua maior influência por Cristo. Comprometemo-nos a orar e trabalhar pela renovação de nossas igrejas.
5. Estilo de vida pessoal
Jesus nosso Senhor nos convoca a abraçar a santidade, a humildade, a simplicidade e o contentamento. Ele também nos promete seu descanso. Confessamos, entretanto, que às vezes permitimos que desejos impuros perturbem nossa paz interior. De maneira que, sem a renovação constante da paz de Cristo em nossos corações, nossa ênfase no viver simples será desequilibrada.
Nossa obediência cristã exige um estilo de vida simples, mesmo sem levar em consideração as necessidades dos outros. Entretanto, o fato de 800 milhões de pessoas estarem na pobreza mais absoluta e 10 mil morrerem de fome todo dia, torna inviável qualquer outro estilo de vida.
Enquanto só alguns de nós fomos chamados a viver entre os pobres, e outros a abrir seus lares aos necessitados, todos estão determinados a desenvolver um estilo de vida simples. Tencionamos reexaminar nossa renda e nossos gastos, a fim de gastar menos, para que possamos doar mais. Não baixamos normas nem regulamentos, quer seja para nós mesmos, quer seja para outros. Contudo, resolvemos renunciar ao desperdício, e opormo-nos à extravagância em nossa vida pessoal, em matéria de roupas e de moradia, de viagens e de templos. Também aceitamos a distinção entre necessidades e luxo, "hobbies" criativos e símbolos de status vazios, modéstia e vaidade, celebrações ocasionais e o nosso dia-a-dia, e entre o serviço de Deus e a escravidão à moda. Onde traçar o divisor de águas — eis o que requer mais reflexão e mais decisão de nossa parte, juntamente com nossos familiares. Aqueles dentre nós que pertencem ao Ocidente necessitam da ajuda de nossos irmãos do Terceiro Mundo a fim de avaliarem seus gastos. Nós que vivemos no Terceiro Mundo reconhecemos que também estamos expostos à tentação da avareza. De maneira que precisamos da compreensão, estímulo e orações uns dos outros.
6. Desenvolvimento internacional
Ecoamos as palavras do Pacto de Lausanne: "Estamos chocados com a pobreza de milhões, e perturbados com as injustiças que a produzem". Um quarto da população mundial goza de prosperidade sem paralelo, enquanto outro quarto padece da mais opressiva pobreza. Essa brutal disparidade é uma injustiça; recusamo-nos a nos conformarmos com ela. O apelo por uma Nova Ordem Econômica Internacional expressa a justificada frustração do Terceiro Mundo.
Chegamos a um entendimento mais claro da ligação entre recursos, renda e consumo: as pessoas com frequência morrem de fome porque não podem comprar comida, porque não têm rendimento, não têm oportunidade para produzir, e porque não têm acesso ao poder. Portanto, aplaudimos a crescente ênfase das agências cristãs no desenvolvimento, de preferência à ajuda simplesmente. Pois a transferência de pessoal e tecnologia apropriada pode capacitar as pessoas a fazerem bom uso de seus próprios recursos, enquanto ao mesmo tempo respeita sua dignidade. Resolvemos contribuir mais generosamente para os projetos de desenvolvimento humano. Onde vidas humanas estão em jogo, nunca deveria haver carência de fundos.
Mas a ação governamental é essencial. Aqueles dentre nós que vivem nos países mais ricos sentem-se constrangidos pelo fato de que a maioria de seus governos fracassou no propósito de atingir seus alvos no tocante à assistência oficial ao desenvolvimento, à manutenção de víveres estocados para casos de emergência ou à liberalização de sua política comercial.
Chegamos à conclusão de que em muitos casos as multinacionais reduzem a iniciativa local nos países onde operam, e tendem a opor-se a qualquer mudança fundamental no governo. Estamos convencidos de que elas deveriam submeter-se mais ao controle e serem mais responsáveis pelo que fazem.
7. Justiça e política
Também estamos convencidos de que a presente situação de injustiça social é tão repulsiva a Deus, que uma mudança bem ampla é necessária. Não que creiamos em utopias terrestres. Mas tampouco somos pessimistas. A mudança pode vir, embora não simplesmente através do compromisso com um estilo de vida simples ou através de projetos de desenvolvimento humano.
Pobreza e riqueza excessiva, militarismo e indústria armamentista, e a distribuição injusta de capital, de terra e de recursos constituem problemas que têm a ver diretamente com poder e impotência. Sem uma mudança de poder através de mudanças estruturais, esses problemas não poderão ser resolvidos.
A igreja, juntamente com o resto da sociedade, está inevitavelmente envolvida na política, que é "a arte de viver em comunidade". Os servos de Cristo precisam expressar o senhorio dele em seus compromissos políticos, econômicos e sociais, e em seu amor por seu próximo, participando do processo político. Como, então, podemos contribuir para a mudança?
Em primeiro lugar, oraremos pela paz e pela justiça, como Deus ordena. Em segundo lugar, procuraremos educar o povo cristão nas questões morais e políticas envolvidas, esclarecendo assim sua visão e levantando suas expectativas. Em terceiro lugar, agiremos. Alguns cristãos são chamados a exercer tarefas importantes junto ao governo, no setor econômico ou em assuntos de desenvolvimento. Todos os cristãos devem participar ativamente do esforço pela criação de uma sociedade justa e responsável. Em algumas situações, a obediência a Deus exige resistência a um sistema injusto. Em quarto lugar, precisamos estar preparados para sofrer. Como seguidores de Jesus, o Servo Sofredor, sabemos que o serviço sempre envolve sofrimento.
O compromisso pessoal em termos de mudança de estilo de vida não será eficaz se não houver ação política, visando à mudança dos sistemas injustos. Mas a ação política sem compromisso pessoal é inadequada e incompleta.
8. Evangelização
Estamos profundamente preocupados com os muitos milhões de pessoas não evangelizadas espalhadas pelo mundo. Nada do que foi dito sobre estilo de vida ou justiça diminui a urgência do desenvolvimento de estratégias evangelísticas apropriadas aos diferentes meios culturais. Não devemos deixar de proclamar Cristo como Salvador e Senhor de todo o mundo. A igreja ainda não está levando a sério sua missão de agir como testemunha dele "até os confins da terra" (At 1.8).
De maneira que o apelo por um estilo de vida responsável não deve estar divorciado do apelo por um testemunho responsável. Pois a credibilidade de nossa mensagem diminui seriamente sempre que a contradizemos com nossa vida. É impossível proclamar, com integridade, a salvação de Cristo, se ele, evidentemente, não nos salvou da cobiça, ou proclamar seu senhorio se não somos bons mordomos de nossas posses; ou proclamar seu amor se fecharmos nossos corações para os necessitados. Quando os cristãos se importam uns com os outros, e com os pobres, Jesus Cristo se torna mais visivelmente atraente.
Contrastando com isso, o estilo de vida afluente de alguns evangelistas ocidentais, quando em visita ao Terceiro Mundo, é compreensivelmente ofensivo a muita gente.
Acreditamos que o viver simples da parte dos cristãos em geral liberaria consideráveis recursos financeiros e pessoais tanto para a evangelização como para atividades desenvolvimentistas. De maneira que, através do compromisso com um estilo de vida simples, reassumimos novamente, de todo o coração, a evangelização mundial.
9. O retorno do Senhor
Os profetas do Velho Testamento denunciaram a idolatria e as injustiças do povo de Deus, e advertiram para a vinda do juízo. Denúncias e advertências semelhantes são encontradas no Novo Testamento. O Senhor Jesus virá em breve julgar, salvar e reinar. Seu juízo cairá sobre os cobiçosos (que são idólatras) e sobre todos os opressores. Pois, nesse dia, o Rei sentará em seu trono e separará os salvos dos perdidos. Aqueles que serviram a ele, servindo aos mais pequeninos de seus irmãos carentes, serão salvos, pois a realidade da fé que salva é visível no amor serviçal. Mas os que se mantêm persistentemente indiferentes à situação dos necessitados, e assim a Cristo neles, esses estarão irreversivelmente perdidos (Mt 25.31-46). Todos nós precisamos ouvir de novo essa solene advertência de Jesus, e resolver de novo servir a ele na pessoa do necessitado. Portanto, conclamamos nossos irmãos em Cristo, em toda parte, a fazer o mesmo.
Nossa resolução
Tendo, pois, sido libertados pelo sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo, em obediência a seu chamado, e em sincera compaixão pelos pobres, preocupados com a evangelização, com o desenvolvimento e com a justiça, e em solene antecipação do Dia do Juízo, nós, humildemente, nos comprometemos a desenvolver um estilo de vida justo e simples, a apoiar uns aos outros nele e a estimular outras pessoas a se unirem a nós nesse compromisso. Sabemos que precisaremos de tempo para levar a cabo suas implicações, e que a tarefa não será fácil. Que o Deus Todo-Poderoso nos conceda sua graça para permanecermos fiéis! Amém.
O Compromisso evangélico com um estilo de vida simples é um documento longo. Assim, deixe-me destacar suas ênfases:
1. A nova comunidade: Alegramo-nos porque a igreja é destinada a ser a nova comunidade de Deus, a qual demonstra novos valores, novos padrões e um novo estilo de vida.
2. Estilo de vida pessoal: não estabelecemos regras ou regulamentos. Porém, como cerca de 10 mil pessoas morrem de fome todos os dias, nos determinamos a simplificar nosso estilo de vida.
3. Desenvolvimento internacional: estamos chocados com a pobreza de milhões e decidimos contribuir mais generosamente com projetos de desenvolvimento humano. Porém, a ação governamental é essencial.
4. Justiça e política: acreditamos que a situação atual de injustiça social é detestável para Deus e que mudanças podem e devem acontecer.
5. Evangelismo: estamos profundamente preocupados com os milhões de pessoas não evangelizadas. O desafio de um estilo de vida simples não deve estar separado do desafio de um testemunho responsável.
6. O retorno do Senhor: acreditamos que, quando Jesus retornar, aqueles que o serviram por meio do serviço aos pequeninos serão salvos, pois a realidade da fé salvadora é demonstrada no amor servil.
Nota:
Documento retirado do capítulo 5 ("Simplicidade") de O Discípulo Radical, de John Stott.
Serviço:
Consulta Teológica e Pastoral "Um chamado à humildade, à integridade e à simplicidade".
Data: de 3 a 5 de abril.
Local: Atibaia (SP).
Promotores: Movimento Lausanne e Aliança Evangélica Brasileira.
Co-promotores: Ultimato e Cristianismo Hoje.
Apoio: AETAL, FTL-Brasil e Visão Mundial.
Fonte: >

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Pastoral sobre os Refugiados - AEB

 

 


 

SOBRE OS REFUGIADOS
E A RESPONSABILIDADE DA IGREJA

Pastoral
Voluntários da Cruz Vermelha austríaca recebeu milhares de imigrantes em Nickelsdorf de passagem da fronteira da Hungria, com bebidas quentes e alimentos, fornecendo assistência médica e atividades de lazer para as crianças.
Foto: Anna Zehetner/ IFRC – Áustria (05/09/2015) / Fotos Públicas.

Somos chamados a adotar um jeito hospitaleiro e compassivo de ser, um estilo de vida coerente com o caráter de Deus.
 
O drama dos refugiados em massa – em especial nas fronteiras com a Europa – é complexo e envolve dimensões sociais, econômicas, políticas e espirituais. Talvez, nós, brasileiros, ainda não tenhamos condições de mensurar esta complexidade pelo fato de não ser este um problema que sofremos diretamente, tão de perto. No entanto, como cristãos, e como Igreja Evangélica Brasileira, podemos assumir algumas posturas:
 
1. Orar compassiva e intensamente para que todo estrangeiro refugiado não fique desamparado. Desde o Antigo Testamento, o Senhor tem se preocupado com os estrangeiros e tem orientado seu povo a não fechar suas portas para eles. Num contexto em que os estrangeiros costumavam ser considerados inimigos, Deus pediu a seu povo que os amassem (Dt 10.19) e que os tratassem com equidade (Lv 19.34). A “lei da rebusca” é um exemplo bem prático disso (Dt 24.18-22). Jesus reafirmou sua preocupação pelos mais frágeis (Mt 5) e foi enfático ao referir-se ao cuidado do forasteiro (Mt 25.35-40). A igreja também guardou este ensino (Rm 12.13)1. Lembramos que Jesus também foi um refugiado (Mt 2.14-15).
 

2. Adotar um estilo de vida hospitaleiro. Como bem nos lembrou Jacqueline Alencar, em artigo para o site Protestante Digital, “a hospitalidade não era apenas uma opção. A ninguém devia faltar o sustento, nem os direitos nem as obrigações. Quanto cuidado tinha Deus pelos diferentes, pelos que haviam sido acolhidos debaixo de suas asas! Como Rute, uma moabita, que não era judia entre as judias, no entanto, chegou a fazer parte da genealogia do mesmíssimo Jesus, filho de Deus. E Deus continua tendo o mesmo cuidado”.
Embora a visibilidade do drama seja maior hoje, o problema é antigo. Para exemplificar, veja aqui o trabalho fotográfico de Alyson Montrezol em Meheba Refugee Camp, na Zâmbia, um dos mais antigos campos de refugiados do mundo, que existe desde 1970. Envolve também as outras formas de desamparo que acontecem no Brasil, principalmente, com as crianças.
Deus nos chama para adotarmos um jeito hospitaleiro e compassivo de ser. Não se trata apenas de dar um socorro, mas de adotar um estilo de vida coerente com o caráter de Deus.


3. Mobilizar para que estes refugiados recebam recursos para sobrevivência e, se possível, condições para que recomecem suas vidas, mesmo que temporariamente, em outro lugar.Para isso, felizmente, algumas organizações cristãs como Tearfund e Viva, já estão captando doações para que sejam transferidas em forma de alimentos e outros itens a famílias refugiadas.
 
4. Centenas de refugiados começam a chegar ao Brasil, e, nós, como igreja, podemos acolhê-los. É o que organizações como a Missão MAIS, Compassiva, Missão Paz e outras estão fazendo. Sua igreja local ou grupo cristão também pode envolver-se. Clique aqui e leia o relato sobre a visita do Pr. Elben César, da revista Ultimato, a estas organizações. Leia também como ajudar organizações internacionais.
 
5. Não há dúvidas de que acolher um refugiado exige de nós mais do que boa vontade. Precisamos reorganizar nossa rotina, abrir mão de algumas coisas e ter gastos financeiros e estarmos sujeitos a conflitos culturais. No Brasil, as igrejas locais podem fazer campanhas bem práticas de acolhimento a refugiados, mas não somente isso. Acolher os refugiados provavelmente nos mostrará que há muitos outros que aqui mesmo precisam de abrigo e hospitalidade. Num país onde o déficit habitacional é grande e a desigualdade social absurda sempre haverá a necessidade de expressarmos a hospitalidade cristã.

6. Questionar, bem ao tom profético da Bíblia, decisões estruturais e políticas quanto ao acolhimento de refugiados e investigar as causas histórias do problema. É verdade que os governos precisam tomar decisões justas, não simplesmente para autoproteger-se, mas sim para que haja cooperação de todos a fim de lidar com a migração em massa dos refugiados. Os tratados de cooperação internacional precisam ser revistos à luz da conjuntura atual e todos os países envolvidos precisam ser ouvidos e, ao mesmo tempo, precisam assumir seu papel. O problema é humanitário, e todas as nações precisam assumir sua responsabilidade tanto para acolher os refugiados quanto para ajudar a resolver as causas desta migração.


7. Lembrar das igrejas que estão nos países em conflito, de onde os refugiados fogem. Em 2014, o Concílio da Comunidade Evangélica da Síria e do Líbano publicou nota pedindo que as igrejas e organizações cristãs de todo o mundo pressionem e influenciem governos que apoiam grupos radicais em áreas de conflito para que para impeçam o fluxo de recursos e armas para os “takfiri” e grupos radicais. A nota também encoraja que as comunidades cristãs “continuem sendo agentes disseminadores da cultura de amor, paz e direitos humanos, bem como do pluralismo intelectual, educacional e religioso”.

A Aliança Evangélica2, coerentemente com suas convicções cristãs, deseja dar sua contribuição ao enfrentamento do problema dos refugiados. Mesmo diante da complexidade da questão, queremos estimular e encorajar que a Igreja de Cristo seja exemplo de testemunho, que seja “sal e luz” diante deste desafio gigantesco. É preciso enxergar as dimensões da crise com os olhos de Cristo. Que Deus nos ajude a fazer isso.
 
Brasil, 21 de setembro de 2015
Aliança Evangélica Brasileira

 

Notas:
1. Artigo “Despertar al drama” no site em espanhol Protestante Digital.
2. Este texto é baseado no editorial do Portal UItimato, com o qual concordamos, acrescido de sugestões do Conselho Coordenador da Aliança.
 

Filie-se a Aliança!
 
 
 
 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Fundação Abrinq: Principais Indicadores Sociais da Infância e Adolescência no Brasil


A Fundação Abrinq – Save The Children apresenta a edição de 2015 do "Cenário da Infância e Adolescência no Brasil - 2015". Trata-se de um de "guia de bolso" com os indicadores mais recentes relacionados à infância e a adolescência no Brasil. A iniciativa visa mostrar o cenário de vulnerabilidade ao qual está exposto esse público, tais como saneamento básico, moradia, violência, pobreza, entre outros.

Com diversos infográficos, o Guia está dividido em três partes:

1) Indicadores, tais como, números sobre População, Saneamento Básico, Pobreza, Moradia, Violência, Cultura/Esporte, Educação, Proteção e Saúde, na faixa etária de zero a 18 anos;
 2) Pauta Prioritária da Infância e Adolescência, que se refere às proposições legislativas que tramitam no Congresso Nacional, consideradas prioritárias dentre todas que a organização monitora, nas temáticas sobre educação, proteção e saúde; 
3) Atuação da Fundação Abrinq nessas esferas durante o ano de 2014. “É o único panorama que reúne, numa mesma publicação, os indicadores de órgãos públicos, como o Ministério da Educação, Ministério da Saúde, IBGE e Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, sobre a Infância e a Adolescência”, explica Heloisa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq. 





“Na área de Educação, o material expõe, por exemplo, a preocupante escassez de vagas em creches e o alto índice de abandono escolar no Ensino Médio. Em Proteção, são apresentados dados referentes ao grande número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. Já em Saúde, a taxa de mortalidade materna ainda requer atenção”, acrescenta o presidente da Fundação Abrinq, Carlos Tilkian.

Principais destaques do guia Cenário da Infância e Adolescência no Brasil - 2015:


• Em uma análise regional, notamos que a Região Norte é a que apresenta a maior proporção de crianças e adolescentes, representando quase 40% de sua população total. E é justamente a região com pior índice de saneamento: os domicílios sem acesso à rede de água representam 45,52%, contra uma média nacional de 17,15%. Também na região Norte, as residências sem acesso a esgotamento sanitário chegam a 67,18%. 


• Em 2012, Aproximadamente 55 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza no Brasil, sendo que quase 20 milhões deste total se encontram em situação de extrema pobreza. A situação de “Pobreza” é dada às pessoas que vivem com renda domiciliar per capita mensal inferior a meio salário mínimo (considerando o salário mínimo federal de 2012, R$ 622). Já a condição de “Extrema Pobreza” classifica as pessoas que vivem com renda domiciliar per capita mensal inferior a um quarto de salário mínimo.

• 18% das mortes por homicídios foram em pessoas entre 0 e 19 anos.

• A taxa de cobertura por creche (isto é, a razão entre o número de crianças em idade escolar de 0 a 3 anos e o número de matrículas nesta etapa de ensino) é de 22,60% no Brasil.

• As taxas de distorção série-idade no Brasil ocorrem, principalmente, no Ensino Médio: 29,5% é o percentual de alunos que estão matriculados em séries não condizentes à sua idade no Brasil, contra a taxa de 21% no Ensino Fundamental.

• No Brasil há mais de 3,2 milhões de domicílios localizados em favelas, com aproximadamente 11,4 milhões de pessoas vivendo nessas condições, sendo que dessas, 3,9 milhões estão na faixa etária entre 0 e 17 anos. 

• Em 2013, o Disque 100 recebeu mais de 252 mil denúncias de violações de direitos contra crianças e adolescentes em todo o País. Sobre a Lista de Proposições Legislativas Prioritárias, o documento alerta para os projetos e ementas que defendem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos de idade, cujo posicionamento da Fundação Abrinq é contrário; e faz a defesa do Projeto de Lei 7029, de 2013, que pretende aumentar a complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e o fator de ponderação para as creches públicas em tempo integral.




O "Cenário da Infância e Adolescência no Brasil - 2015" traz ainda os argumentos da Fundação Abrinq quanto ao financiamento da Educação, à Educação em Tempo Integral, à Redução da Idade para o Ingresso no Ensino Fundamental, Redução da Idade Mínima para o Trabalho, Segurança Alimentar, entre outros.


A Fundação Abrinq também destaca os avanços na Legislação em 2014 com a sanção das seguintes matérias:


• Plano Nacional de Educação - Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014 

• Lei Menino Bernardo - Lei nº 13.010, de 26 de junho de 2014, que estabelece o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante;
• Teste da Linguinha - Lei nº 13.002, de 20 de junho de 2014, que obriga a realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês, a fim de evitar qualquer transtorno para o desenvolvimento da criança.

Para baixar o Guia de Bolso completo acesse:

terça-feira, 2 de junho de 2015

20º Mutirão Mundial de Oração em favor de Crianças e Adolescentes Vulneráveis


Do ponto de vista cristão, como resposta a Ação de Deus no Mundo, oração é o primeiro passo para alguém perceber esta Presença Divina, entender os Seus Propósitos e se unir a Ele como cooperador e instrumento de seus desígnios de amor e justiça

Nos dias 05, 06 e 07 de Junho, na zona leste de São Paulo, a Igreja O Brasil Para Cristo em Jardim Iguatemi, será um ponto de concentração, para aqueles que se interessarem em unir forças, fé e oração em favor de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social

05/06 sexta as 08:00 da manhã
06/06 sábado as 19;00 da noite
07/06 domingo as 09:00 da manhã

Rua Leandro Campanari, 41 Jd. Iguatemi.
Altura do 4.400 da Ragueb Chofhi

APOIO

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RUA LEANDRO CAMPANARI, 41 JD. IGUATEMI - SÃO PAULO. REUNIÕES AOS DOMINGOS AS 09HS E 18HS.

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